“No Dia Nacional da Adoção, devemos lembrar, também, dos não-adotados”, diz juiz Sérgio Luiz Ribeiro

No Brasil, há, atualmente, cerca de 37 mil pessoas habilitadas para adoção e 5 mil crianças e adolescentes aptos a serem adotados. No entanto, a adoção, em muitos casos, não acontece. A conta parece não fechar, mas existe uma explicação: a maioria dessas crianças não se encaixa na faixa etária desejada pelos pretendentes que, geralmente, varia de zero a sete anos. O juiz Sérgio Luiz Ribeiro, representando o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, participou de live no instagram organizada pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) nesta segunda-feira (25/05) e falou sobre a necessidade de se alterar o perfil idealizado (e, muitas vezes, irreal) desejado por grande parte dos adotantes. As lives foram realizadas em comemoração ao Dia Nacional da Adoção e reuniram magistrados de diversos tribunais estaduais do país. Durante todo o dia, eles debateram temas como: adoção tardia, adoção de crianças indígenas e casas de acolhimento. Em sua participação, o juiz Sérgio Luiz Ribeiro, que é presidente da Coordenadoria Judiciária de Articulação das Varas da Infância, da Juventude e do Idoso do TJRJ, interagiu com a juíza do Tribunal de Justiça de Sergipe, Rosa Geane Nascimento, sobre o tema “Alteração de Perfil”. - No dia em que celebramos a adoção, devemos lembrar, especialmente, dos não-adotados. Existem várias iniciativas do Judiciário fluminense que buscam promover a adoção necessária, ou seja, a adoção de crianças e adolescentes que não se encaixam no perfil idealizado desejado por grande parte dos pretendentes. Ao meu ver, a saída é mostrar as crianças e adolescentes reais. O Judiciário deve promover o encontro dessas crianças com as pessoas habilitadas. Esse contato pode ser decisivo para adoção. Nesse sentido, o juiz destacou o “Programa do apadrinhamento”, no qual o participante pode “apadrinhar” uma criança, visitando-a ou fornecendo suporte material e/ou financeiro, e o projeto “Adote um vencedor”, desenvolvido em parceria com o Fluminense. Crianças e jovens assistidos pelas 2ª e 4ª Varas da Infância, Juventude e Idoso da Capital visitaram o campo de treinamento do time. Alguns entraram em campo com os jogadores, em partida válida pelo Campeonato Brasileiro de 2019. - Das crianças que participaram do projeto “Adote um torcedor”, 40 se encontram ou em estágio de convívio ou já foram adotadas. E  o “Programa do Apadrinhamento”, que também considero estratégico, não tem por finalidade direta a adoção. No entanto, ela pode acontecer. A gente deseja que padrinho e afilhado se afeiçoem, o que pode resultar em um vínculo afetivo forte que gera o desejo de adotar - considerou. O magistrado também falou sobre projeto “O Ideal é Real”, da Associação dos Magistrados do Estado do Rio de Janeiro (Amaerj), que estabelece encontros entre habilitados à adoção e crianças e adolescentes. - Trata-se de um projeto que permite o contato, para, quem sabe, promover a troca de perfil dos pretendentes à adoção. As atividades são realizadas com intermediação da equipe técnica. Já obtivemos sucesso em diversos casos, como quando um casal, que buscava inicialmente um bebê, adotou dois irmãos de 14 e 17 anos. Acredito que a pessoa só pode fazer uma escolha consciente se conhecer todas as possibilidades.    Um gesto de amor e novas famílias A chegada de um bebê adotado com apenas um mês de idade, em outubro do ano passado, transformou a vida de Luciana Vilela Overney, de 44 anos, e de Thiago de Paiva Nunes, de 46. É dele que vem a força para superar um momento bastante difícil: aos quatro anos, a outra filha do casal, adotada em 2016, morreu depois de ter complicações durante uma cirurgia gástrica.                               O juiz Sérgio Luiz Ribeiro de Souza com o casal Luciana Vilela e Thiago Nunes e o filho Ygor   - A presença dele é uma benção em nossas vidas. Conseguimos adotá-lo porque continuávamos cadastrados na fila de espera  quando fizeram contato do abrigo Casa Lar Condessa, em Bangu, com a notícia de que chegaria mais um integrante para a família. Somos privilegiados de tê-lo conosco para dar muito amor e carinho - disse Thiago. Enquanto isso, o casal Ana Cristina de Pádua Soares, de 48 anos, e Reinaldo Faria de Soares, de 50 anos, vive a rotina de ter sete filhos - uma biológica, hoje com 18 anos, e outros seis irmãos, adotados em maio de 2014. Foi da mais velha a decisão de levá-los a fazer parte de um novo lar. Ao conhecer as crianças durante o período no qual todos ficaram juntos através do Programa Família Acolhedora, ela se encantou com a turma e convenceu os pais de não devolver os irmãos para família substituta, mas sim adotá-los.                                                                                                                      Reinaldo Faria de Soares e os filhos   - A adaptação foi longa e nada fácil. Respeitando o tempo de cada um. Foi necessária uma mudança drástica de hábitos adquiridos nas ruas ao lado dos pais biológicos envolvidos com drogas que perderam a guarda por abandono. Atualmente estão adaptados, fazem tratamento com psicóloga, psicopedagoga, fonoaudióloga, e tem um que tem TDAH e toque e está ótimo, sendo medicado e tratado - disse Ana Cristina. Ana Cristina revela que inicialmente adotaria os quatro mais velhos, mas se envolveu tanto com todos que achou melhor manter os irmãos juntos. Ela disse que não tem dúvida de que fez a escolha certa. - Não consegui ficar alheia ao ver o sofrimento dos irmãos mais velhos se separando, já que iriam para outra família acolhedora. Abracei a causa e decidi que ficaríamos com os seis. Atualmente todos estão estudando e com saúde. O processo mais recente de adoção  na Justiça fluminense  foi o de uma bebê de 2 meses e aconteceu no dia 06/05, data em que o casal Luzia Nogueira Nogui e Eizi Nogui Júnior tornaram-se pais da menina, em pleno período de distanciamento social A juíza Lorena Paola Nunes Boccia, da 2ª Vara da Infância e da Juventude e do Idoso da Comarca de Barra Mansa, considera cada adoção um desafio. De acordo com ela, o Dia Nacional de Adoção deve ser lembrado sempre pela importância na formação de uma família. - É muito satisfatório para nós juízes sabermos que conseguimos mudar a vida e a história de uma família com o nosso trabalho. Fica também uma lição para não esquecermos sobre os direitos das crianças, porque a destituição do poder familiar e a adoção são feitas para seus interesses. O ideal é real porque estamos mexendo com os interesses delas - ressaltou a magistrada. MG/SV/FS      
25/05/2020 (00:00)
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